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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Piratas Somalianos... a verdade...


Piratas da Somália: países ocidentais despejaram lixo nuclear nas águas!

Os "piratas" da Somália são ex-pescadores desesperados em luta contra os crimes de lesa-humanidade praticados por países ocidentais.

Os piratas da Somália estarão a atuar em desespero de causa. Desde 2005 que o fazem após o tsunami de Dezembro de 2004 ter provocado a contaminação da costa do país pelo arrastamento de enorme quantidade de lixo tóxico que maltratou e matou muita gente. Fazem-no porque acham que o seu governo nada fez para os ajudar e que as Nações Unidas, a quem se queixaram, não conseguiu punir os responsáveis, nomeadamente a suiça Achair Partners e a italiana Progresso, com quem os políticos e os líderes das milícias da Somália assinaram acordos no início dos anos 90 para o despejo desse lixo tóxico e radioativo. Não só não houve penalizações nem indenizações, como também não houve limpeza e descontaminação das zonas costeiras. Para cúmulo, frotas pesqueiras estrangeiras continuam a dizimar os bancos de pesca e recrutam milícias locais para intimidar os pescadores. Daí a tomarem o destino nas suas próprias mãos foi um ar. A Índia, os EUA e o Reino Unido aparecem agora unidos para abater os piratas, esquecendo os causadores da tragédia, os que, durante anos, despejaram impunemente lixo tóxico e radioactivo ao longo das costas da Somália.

Em 1991, o governo da Somália, lá no chifre da África, entrou em colapso. Desde então, nove milhões de pessoas estão à beira da fome e da miséria. E foi então que muitos países viram isso como uma grande oportunidade para roubar o suprimento de comida do país e jogar lixo nuclear em seus mares.

Lixo nuclear, exato! Assim que o Governo faliu, misteriosos navios europeus começaram a aparecer na costa da Somália, jogando vários barris para dentro do oceano. A população costeira começou a adoecer. No começo apareceram estranhas feridas, náusea e bebês mal-formados. Então, depois do tsunami de 2005, centenas dos barris jogados apareceram na praia. Começaram a sofrer de doenças em consequencia da radiação, e mais de 300 morreram.

Ahmedou Ould-Abdallah, enviado das Nações Unidas à Somália, informou: "Alguém está jogando material nuclear aqui. Também há chumbo e metais pesados como cádmio e mercúrio - e muito mais". Muito desse material pode ter vindo de hospitais e fábricas européias, que parecem ter passado à máfia italiana a tarefa de "desovar" da forma barata.

Ao mesmo tempo, outros navios europeus estão roubando dos mares somalis sua maior riqueza: comida. Mais de 30 milhões em atum, camarão, lagosta e outras vidas marinhas são roubadas todo ano por imensos navios pesqueiros que ilegalmente pescam nos mares desprotegidos da Somália. De repente, o pescador local perdeu seus meios de sobrevivência e passa fome.
Quem imaginaria que em 2009, os governos de vários países estariam declarando uma nova guerra aos piratas? Nesse exato momento, a Marinha Real Britânica, apoiada por navios de mais de duas dúzias de nações, dos EUA a China, está entrando em águas somalis para atacar os tais vilões.


Retirado do mídia independente...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ameaça em vista... vamos tomar cuidado...


Esta aí na foto é a plataforma de exploração Ocean Guardian – que não se perca pelo nome - que está sendo rebocada e chega até o final do mês às Ilhas Malvinas. É a primeira das plataformas enviadas para retirar petróleo ao largo das Ilhas Malvinas. Serão perfurados oito poços exploratórios.

Qualquer pessoa com conhecimentos básicos de logística de petróleo sabe que esta operação custará uma fortuna de centenas de milhões de dólares. Não existe base de terra minimamente próximas para essas plataformas, o que aumenta de forma gigantesca os seus custos. Cada equipamento e cada trabalhador terá ser trazido de milhares de quilômetros de distância e nem mesmo aeroporto capaz de suportar vôos intercontinentais há na ilha, onde a maior pista é de 900 metros, 400 metros menor que a do nosso Santos Dumont. Fala-se em trazer materiais construir uma cidade para os trabalhadores. Da Inglaterra às Malvinas a distância é de mais de 12 mil quilômetros, em linha reta. Evitando as águas territoriais brasileiras, mais de 16 mil quilômetros.

Logo, um investimento desta monta não é feito senão com indícios de uma grande quantidade de óleo, que o torne economicamente viável e lucrativo para as empresas petroleiras.

E se há petróleo em quantidade, haverá, tão certo como dois e dois são quatro, proteção militar a esta riqueza. Ou alguém acha que os ingleses vão deixar torres, terminais e navios ao alcance da aviação argentina em meia hora de vôo, sem proteção bélica?

E aí, meus amigos, estaremos diante de um dos maiores pesadelos militares que possamos ter: uma base militar aeronaval no Atlântico Sul, a pouco mais de três mil quilômetros – alcance de aviões de caça – de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Sem falar na região do pré-sal. Do ponto de vista militar é muitíssimo pior do que as bases americanas na Colômbia.

O Brasil precisa entrar já nesta questão, diplomaticamente, antes que o impasse entre Londres e Buenos Aires se agrave mais ainda. Para começar, deixando claro que não aceitará a implantação de qualquer base militar extra-continental no Atlântico Sul. Não podemos tolerar a militarização de nossas vizinhanças e nem pretender sacrificar o povo brasileiro sendo obrigado a organizar defesas correspondentes a elas.

Esta história de petróleo nas Malvinas, eu venho dizendo aqui, se confirmada, vai ser um dos maiores impasses diplomáticos e militares que o nosso país terá de enfrentar.


Retirado do blog do Brizola Neto...

domingo, 18 de outubro de 2009

Com a palavra, Fidel...


UM PRÊMIO NOBEL PARA EVO

por Fidel Castro, na Agencia Cubana de Notícias

Se a Obama lhe foi outorgado o Prêmio por ganhar as eleições em uma sociedade racista, apesar de ser afro-americano, Evo é merecedor dele por ter ganho as eleições em seu país, apesar de ser indígena, e ainda cumprir o prometido.

Pela primeira vez em ambos os países um ou outro de sua etnia chega à Presidência.

Mais de uma vez chamei a atenção para o fato de que Obama era um homem inteligente, educado num sistema social e político no qual crê. Deseja estender os serviços de saúde a quase 50 milhões de norte-americanos, tirar a economia da profunda crise que padece e melhorar a imagem dos Estados Unidos, deteriorada pelas guerras criminosas e as torturas. Não imagina, nem deseja nem pode mudar o sistema político e econômico de seu país.

O Prêmio Nobel da Paz tem sido conferido a três Presidentes dos Estados Unidos, um ex-presidente e um candidato a Presidente.

O primeiro foi Theodore Roosevelt, eleito em 1901, dos Rough Riders (jóqueis duros), quem desembarcou em Cuba seus jóqueis, mas sem cavalos, no período da intervenção dos Estados Unidos em 1898 para impedir a independência de nossa Pátria.

O segundo foi Thomas Woodrow Wilson, que introduz os Estados Unidos na primeira guerra pela partilha do mundo. No Tratado de Versalhes impôs condições tão severas à vizinha Alemanha, que criou as bases para o nascimento do fascismo e o estalo da Segunda Guerra Mundial.

O terceiro é Barack Obama.

Carter foi o ex-presidente a quem vários anos depois de ter finalizado seu mandato lhe foi outorgado o Prêmio Nobel. Sem dúvidas, um dos poucos Presidentes desse país incapaz de ordenar o assassinato de um adversário, como fizeram outros; devolveu o Canal ao Panamá, criou o Escritório de Interesses em Havana, evitou cair em grandes déficits orçamentários e esbanjar o dinheiro em benefício do complexo militar industrial, como fez Reagan.

O candidato foi Al Gore, que tinha sido vice-presidente; o político norte-americano com maior conhecimento sobre as terríveis conseqüências da mudança climática. Mais para frente, quando foi eleito candidato à Presidência, foi vítima da fraude eleitoral e despojado da vitória, por W. Bush.

As opiniões sobre a entrega deste Prêmio têm sido muito divididas. Muitos partem de conceitos éticos ou refletem contradições evidentes na imprevista decisão.

Haveriam preferido esse Prêmio como fruto de uma tarefa realizada. Nem sempre o Prêmio Nobel da Paz foi entregue a pessoas merecedoras dessa distinção. Às vezes receberam-no pessoas ressentidas, auto-suficientes, ou pior ainda. Lech Walesa, ao conhecer a noticia exclamou com desprezo: “Quem, Obama? É muito rápido. Não tem tido o tempo suficiente para fazer alguma coisa”.

Em nossa imprensa e em CubaDebate, companheiros honestos e revolucionários foram críticos. Um deles salientou: “Na mesma semana em que foi outorgado o Prêmio Nobel da Paz a Obama, o Senado dos Estados Unidos aprovou o maior orçamento militar da história: 626 bilhões de dólares.” No Noticiário de Televisão, outro jornalista comentou: “O que fez Obama para merecer essa distinção?” Mais outros perguntaram: “E a guerra do Afeganistão e o incremento dos bombardeios?” São pontos de vista baseados nas realidades.

Desde Roma, o diretor de cinema Michael Moore pronunciou uma frase lapidária: “Parabens, presidente Obama, pelo Prêmio Nobel da Paz; agora, por favor, ganhe-o”.

Estou certo de que Obama concorda com a frase de Moore. Possui suficiente inteligência para compreender as circunstâncias que rodeiam o caso. Sabe que ainda não o ganhou esse Prêmio. Esse dia, de manhã, declarou: “Acho que não mereço acompanhar tantas personalidades transformadoras homenageadas com este Prêmio”.

Afirma-se que são cinco os membros do famoso comitê que outorga o Prêmio Nobel da Paz. Um porta-voz asseverou que foi por unanimidade. Corresponde fazer uma pergunta? O galardoado foi ou não consultado? Uma decisão dessa índole pode ser tomada sem antes a pessoa premiada ter sido advertida disso? Este não pode ser julgado moralmente de igual forma se conhecia ou não com antecedência a indicação para o Prêmio. O mesmo pode ser afirmado a respeito daqueles que decidiram premia-lo.

Talvez seja necessário criar o Prêmio Nobel da Transparência.

Por outro lado ninguém mencionou o nome de Evo.

É obvio que pela primeira vez na história da Bolívia, um autêntico indígena aimara exerce a presidência desse Estado, criado pelo Libertador Simon Bolívar depois da Batalha de Ayacucho, quando o último vice-rei da Espanha foi vencido pelo General Antonio José de Sucre.

A Bolívia possuía, então, 2 milhões 343 mil 769 quilômetros quadrados.

A sua população era integrada fundamentalmente pelos descendentes da civilização aimara-quíchua, cujos conhecimentos em diversas esferas assombram o mundo. Mais de uma vez tinham-se sublevado contra seus opressores.

Os oligarcas fratricidas e pró-imperialistas dos Estados vizinhos, apesar dos vínculos comuns de sangue e cultura, arrebataram à Bolívia 1 milhão 247 mil 284 quilômetros quadrados, mais da metade da superfície. É bem conhecido que ao longo dos séculos, o ouro, a prata e outros recursos da Bolívia eram extraídos pelos privilegiados donos de sua economia. Enormes jazidas de cobre, as maiores do mundo, e outros minérios lhe foram arrebatados depois da independência em uma das guerras promovidas pelos imperialistas britânicos e ianques.

Apesar disso a Bolívia conta com importantes jazidas de gás e de petróleo e possui, além disso, as maiores reservas conhecidas de lítio, minério muito necessário em nossa época para a armazenagem e uso da energia.

Evo Morales, camponês indígena muito pobre, transitou pelos Andes, juntamente com seu pai, antes de completar seis anos, pastoreando lhamas de um grupo indígena. Conduziam-nas durante 15 dias até o mercado onde as vendiam para adquirir os alimentos da comunidade. Respondendo a uma pergunta minha sobre aquela singular experiência, Evo me contou que durante a viagem “hospedava-se no hotel mil estrelas”, uma bela forma de fazer referência ao céu limpo da cordilheira onde por vezes são colocados os telescópios.

Naqueles duros anos de sua infância, a alternativa dos camponeses na comunidade onde nasceu, era o corte da cana-de-açúcar na província argentina de Jujuy, na qual às vezes uma parte da comunidade refugiava-se durante a safra.

Não muito longe de La Higuera, onde o Che, ferido e desarmado, foi assassinado no dia 9 de outubro de 1957, Evo, que tinha nascido no dia 26 desse mesmo mês no ano 1959, ainda não completara os 8 anos. Aprendeu a ler e a escrever em espanhol, caminhando até uma escolinha pública a cinco quilômetros da choça onde num rústico quarto viviam seus irmãos e seus pais.

Durante sua azarenta infância, onde quer que houvesse um professor, ali estava Evo. De sua raça adquiriu três princípios éticos: não mentir, não roubar, não ser débil.

Aos 13 anos o pai autorizou-o para que se mudasse para San Pedro de Oruro e estudar o bacharelado. Um de seus biógrafos conta que era melhor em Geografia, História e Filosofia do que em Física e Matemática. O mais importante é que Evo, para custear seus estudos, acordava às 02h00 para trabalhar como padeiro, construtor ou noutra atividade física. Freqüentava as aulas à tarde. Era admirado por seus companheiros os quais o ajudavam. Desde o primário aprendeu a tocar instrumentos de vento e foi trompete de uma prestigiosa banda de Oruro.

Ainda adolescente, organizou a equipe de futebol de sua comunidade, da qual foi o capitão.

O acesso à universidade não estava a seu alcance por ser indígena aimara e pobre.

Após ter concluído seu último ano de bacharelado, cumpriu o serviço militar e regressou a sua comunidade, localizada na altura da cordilheira. A pobreza e os desastres naturais obrigaram a sua família a emigrar para a zona subtropical de El Chapare, onde a mesma conseguiu obter um pequeno lote de terra. Seu pai morre em 1993 quando ele tinha 23 anos. Trabalhou duramente a terra, mas era um lutador nato, organizou todos os trabalhadores, criou sindicatos e com eles encheu vazios aos quais o Estado não prestava atenção.

As condições para uma revolução social na Bolívia foram criadas nos últimos 50 anos. No dia 9 de abril de 1952, antes do início de nossa luta armada, estalou a revolução nesse país com o Movimento Nacionalista Revolucionário de Victor Paz Estenssoro. Os mineiros revolucionários derrotaram as forças repressivas e o MNR tomou o poder.

Os objetivos revolucionários na Bolívia estavam longe de serem cumpridos. Em 1956, segundo as pessoas bem informadas, começou o declínio desse processo. Em 1 de janeiro de 1959 triunfa a Revolução em Cuba. Três anos depois, em janeiro de 1962, nossa Pátria foi expulsa da OEA. A Bolívia absteve-se. Mais tarde todos os governos, exceto o México, interromperam relações com Cuba.

As divisões do movimento revolucionário internacional fizeram-se sentir na Bolívia. Eram necessários ainda mais de 40 anos de bloqueio a Cuba, o neoliberalismo e suas desastrosas conseqüências, a Revolução Bolivariana na Venezuela e a ALBA; a Bolívia precisava de Evo e do MAS.

Seria longo sintetizar em poucas folhas sua rica história.

Apenas direi que Evo foi capaz de vencer terríveis e caluniosas campanhas do imperialismo, seus golpes de Estado e ingerência nos assuntos internos, defender a soberania da Bolívia e o direito de seu povo milenar a que sejam respeitadas seus costumes. “Coca não é cocaína”, disse ao maior produtor de maconha e o maior consumidor de drogas no mundo, cujo mercado tem sustentado o crime organizado que no México e custa anualmente milhares de vidas. Os maiores produtores de drogas do planeta são dois dos países onde estão as tropas ianques e suas bases militares.

Na armadilha mortal do comércio de drogas não caem a Bolívia, a Venezuela e o Equador, países revolucionários que, igual a Cuba, são membros da ALBA, sabem o que podem e devem fazer para levar a saúde, a educação e o bem-estar a seus povos. Não precisam de tropas estrangeiras para combater o narcotráfico.

A Bolívia leva adiante um programa de sonho sob a direção de um Presidente aimara que conta com o apoio do povo.

Em menos de três anos erradicou o analfabetismo: 824 mil 101 bolivianos aprenderam a ler e a escrever; 24 mil 699 fizeram-no em aimara e 13 mil 599 em quíchua; é o terceiro país livre de analfabetismo, depois de Cuba e da Venezuela.

Presta atendimento médico gratuito a milhões de pessoas que jamais o tinham recebido; é um dos sete países do mundo que nos últimos cinco anos conseguiu reduzir mais a mortalidade infantil, com possibilidades de cumprir as Metas do Milênio antes de 2015, e em uma proporção similar às mortes maternas; operou da visão 454 mil 161 pessoas, delas 75 mil 974 brasileiros, argentinos, peruanos e paraguaios.

Na Bolívia foi estabelecido um ambicioso programa social: todas as crianças das escolas públicas da primeira à oitava série, recebem uma doação anual para sufragar o material escolar que beneficia a quase dois milhões de alunos.

Mais de 700 mil pessoas maiores de 60 anos recebem um bônus equivalente a 342 dólares anuais.

Todas as mulheres grávidas e as crianças menores de dois anos recebem uma ajuda de aproximadamente 257 dólares.

Na Bolívia, um dos três países mais pobres do hemisfério, o Estado controla os principais recursos energéticos e minerais do país, respeitando e compensando cada um dos interesses afetados. Marcha com cuidado porque não deseja retroceder um passo. Suas reservas em divisas vão crescendo. Evo dispõe de não menos de três vezes mais do que dispunha ao início de seu governo. É dos países que melhor fazem uso da cooperação externa e defende com firmeza o meio ambiente.

Em muito pouco tempo se conseguiu estabelecer o Padrão Eleitoral Biométrico e já estão registrados aproximadamente 4,8 milhões de eleitores, quase um milhão mais do que o último padrão eleitoral, que em janeiro de 2009 totalizava os 3,8 milhões.

Em 6 de dezembro serão as eleições. Com certeza o apoio do povo a seu Presidente aumentará. Nada tem podido deter seu crescente prestígio e popularidade.

Por que não lhe é conferido o Prêmio Nobel da Paz?

Entendo sua grande desvantagem: ele não é presidente dos Estados Unidos,


Fidel Castro Ruz
Outubro 15 de 2009
4h25

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Rio olímpico, 2016: só a mídia brasileira não se curva ao Brasil...


Ele conquistou auto-suficiência em petróleo, passou a ser emprestador do Fundo Monetário Internacional. Ele descobriu que dispõe de imensas reservas de petróleo na camada do pré-sal, em uma faixa de não desprezíveis 800 quilômetros entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina.

Por Washington Araújo, no Observatório da Imprensa

Ele trouxe 20 milhões de pessoas da miséria para a pobreza e 18 milhões de pobres subiram à classe média. Ele será palco do maior evento futebolístico do mundo – a Copa do Mundo de 2014. E, de quebra, em 2016 já foi escolhido para sediar as primeiras Olimpíadas da América Latina.
Na maior crise econômica mundial pós-1929 ele encarou os desafios, esnobou a velha ordem econômica esclerosada — e em vertiginosa queda – com a alcunha de “marolinha” e foi o primeiro país a retomar o crescimento econômico. De celebrada 10ª potência econômica mundial já vem sendo anunciado, em previsão de peso-pesado do Banco Mundial, que em 2016… será a 5ª maior economia do mundo.
Em meio a barulhentos vizinhos que movem mundos, fundos, alteram Constituições tudo em esforço concertado para se perpetuar no poder, ele continua dando mostras de que a alternância democrática é o que melhor condiz com sua história e melhor será para seu futuro.
Ele é o Brasil. Aquele sempre cantado em verso e prosa como o Brasil-brasileiro e o gigante deitado eternamente em berço esplêndido. Assisti inteiramente concentrado na transmissão (por sinal muito boa) da Rede Record de Televisão, minuto a minuto, a cerimônia em Copenhague para a escolha por parte do Comitê Olímpico Internacional (COI) do país-sede das Olimpíadas de 2016. Assisti o nome do Rio de Janeiro ser anunciado e a algazarra (palavra com cheiro de naftalina mas muito oportuna) no salão. Depois fui conferir a maneira como o mundo se curvava ao Brasil.
Chacinas em pauta
Barack Obama diz que “vitória do Brasil (para sediar Olimpíadas) é histórica”. A rede CNN destacou que “o Rio desbancou Chicago, Madri e Tóquio”, o New York Times não deixou por menos e em seu site na internet destaca a escolha da cidade como a primeira da América do Sul a sediar uma edição das Olimpíadas. O principal jornal espanhol, El País, abriu longa manchete em seu site: “Madri ficou a um passo do sonho. O esforço diplomático dos últimos dias não deu frutos e o Rio se impôs na última curva”.
O francês Le Monde dava a escolha do Rio como notícia principal e não deixava de alfinetar seus vizinhos: “Os brasileiros comemoram, os espanhóis lamentam”, dizia um título. Até o principal diário esportivo dos hermanos, o argentino Olé, não se conteve: “Se festeja en Río, duele en Madrid, decepción en Chicago (Obama inclusive), y quién sabe qué se dice en Tokyo…”. O Clarín deixou claro desde os últimos dias que a Argentina era espanhola desde sempre e passamos a acreditar que a Argentina compartilha fronteiras com o Brasil por mera ironia geográfica. Não causou mesmo espanto ver que a nossa Cidade Maravilhosa (e agora Olímpica) ganhar de Chicago, Madri e Tóquio só podia mesmo doer no âmago da alma portenha. Coisas da vida. Fazer o quê?
Mas não sei o que acontece com nossa imprensa. Na hora de mostrar otimismo fica indiferente. Dos jornais de maior circulação do país apenas o Jornal do Brasil levou à manchete o assunto das Olimpíadas. Publicou o diário carioca, na sexta-feira (2/10): “Rio 2016. É hoje!” O Globo, a Folha e o Estadão trataram mesmo foi do Enem e os dois diários paulistas, qual dupla sertaneja, elevaram ao altar principal as mesmas palavras: “PF investiga vazamento”.
Temos que convir que a depender do entusiasmo de nosso jornalismo auriverde o maior evento esportivo do planeta em 2016 poderia se dar em terras madrilenhas, na Gotham City norte-americana ou na terra do Sol Nascente. Tudo, menos na ensolarada Rio de Janeiro, cidade que melhor vende a imagem do Brasil mas que frequenta o noticiário nativo quase que unicamente através da cobertura de chacinas nos morros cariocas, nas incursões da polícia quando não de efetivos do exército para reprimir o narcotráfico ou quando nos informam do extermínio de meninos (e meninas) de rua.
Dia de celebração
Repassando as manchetes dos sete principais jornais brasileiros de sexta-feira (2/10), observamos com certo desalento que seis se ocupam do vazamento de provas do Enem e apenas um, o de menor circulação — e carioca ainda por cima — resolve dar um refresco e dá um voto de confiança ao evento de maior potencial midiático passível de ocorrer em nosso país.
É que temos especialistas no Brasil que não dá certo e pouquíssimo traquejo para com o Brasil que pode dar certo. E não me venham com a ladainha de que não temos boas notícias para apurar, assuntos interessantes para repercutir. Basta reler o primeiro parágrafo deste texto.
Que mais esperamos de bom para elevar nossa auto-estima e de quebra passar uma boa imagem do Brasil? Falta ainda termos um brasileiro pisando em solo lunar. E também o médico Miguel Nicolellis ganhar o Nobel de Medicina, Lygia Fagundes Telles trazer para o Brasil o Nobel de Literatura. E um filme brasileiro ganhar o Oscar de melhor filme. Pode até ser na categoria melhor filme estrangeiro. O Brasil poderia também ganhar assento no Conselho de Segurança da ONU, mas ainda é pouco para satisfazer nossas expectativas. É como se nossa imprensa visse o Brasil sempre com viés de baixa (para usar um linguajar típico do noticiário econômico).
Poderíamos começar a trabalhar para ter uma imprensa pautada pela ética e pela duradoura defesa dos direitos humanos. Uma imprensa que saiba distinguir opinião pública de opinião publicada, interesse público de interesse privado. E, quem sabe?, na medida em que formos transpondo as águas do rio São Francisco no Nordeste brasileiro poderíamos começar a transpor para a educação brasileira, em todos os níveis, do elementar ao superior, essa coisa chamada qualidade.
De qualquer forma nada disso impede que festejemos um pouco nossas conquistas. Sonhos que foram de passadas gerações de brasileiros. Hoje não é dia de recolhimento. É de celebração. E não é todo dia que a terra descoberta por Cabral pode assistir a um placar assim: Rio, 66 votos. Madri, 32. Goleada!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Crise do capitalismo: desemprego galopante nos EUA...


Depois de receberem trilhões de euros, banqueiros e governos afirmam, sincronizados, que já se começam a ver sinais positivos, que tudo indica que o pior da crise já teria passado. Teria? Os números da evolução do desemprego nos EUA desmentem essa realidade feita de dilapidação dos dinheiros públicos em proveito de alguns, poucos.

Por Jerry Goldberg, para o jornal Avante!


O relatório de 2 de julho do Gabinete de Estatística do Trabalho (Bureau of Labor Statistics) confirmou o desastre econômico que a classe operária dos EUA está a enfrentar. Em junho, 14,7 milhões de pessoas estavam desempregadas – 9,5 por cento da população ativa, sendo os níveis ainda mais elevados entre os negros, latinos e jovens. Desde o início da recessão, em dezembro de 2007, o número de desempregados aumentou 7,2 milhões. O número de desempregados de longa duração (27 semanas ou mais) passou de 433.000 para 4,4 milhões.

O número dos que trabalham involuntariamente a tempo parcial era de 9 milhões, subiu 4.4 milhões desde o início da recessão. Outros 2,2 milhões de desempregados não constam das estatísticas oficiais porque não procuraram trabalho nas últimas quatro semanas, incluindo 793.000 trabalhadores que já "perderam a coragem" para o fazer.

No Michigan, a taxa de desemprego ultrapassa os 15 por cento, sendo a primeira vez em 25 anos que um estado apresenta um índice tão elevado. Catorze outros estados e o distrito de Colúmbia têm níveis oficiais de desemprego superiores a 10 por cento. A Reserva Federal estima que, a nível nacional, a taxa de desemprego ultrapasse os 10 por cento no final do ano.

Apesar destas estatísticas e previsões devastadoras, Lawrence Summers, o principal conselheiro econômico do presidente Barack Obama, afirma que o plano para estimular a economia nacional está a dar resultados e descarta um colapso econômico. O otimismo de Summers advém provavelmente dos lucros da banca, que recuperou pelo menos temporariamente. Os bancos foram os beneficiários do balão de oxigênio federal de US$ 750 bilhões, dos milhões de milhões mais em dinheiro barato que neles despejou a Reserva Federal, e das centenas de milhares de milhões recebidas através do American International Group (AIG).

A atual recessão, com o seu crescente desemprego, assenta na pauperização dos salários e na destruição de tabelas salariais decentes negociadas com os sindicatos. Um estudo do Bureau of Labor Statistics revela uma queda de 55 dólares por semana nos rendimentos desde 1973 a 2004, calculada com base no valor do dólar em 1982. Quando o salário diminui, os trabalhadores têm ainda mais dificuldade em comprar os bens e serviços que produzem, o que leva à sobreprodução capitalista, à recessão e ao desemprego.

O que travou a atual crise durante uma data de anos foram os trilhões de dólares lançados na economia capitalista através de sistemas de crédito. Primeiro os bancos alargaram o crédito fácil através dos cartões de crédito durante alguns anos. Depois, quando os cartões atingiram o limite máximo, o capitalismo virou-se para o crédito à compra de habitação fazendo inflacionar o preço das casas e induzindo as pessoas a colocar as suas casas em esquemas paralelos de refinanciamento à habitação. Os bancos fizeram lucros imensos com taxas e juros elevadíssimos.

"Sources and uses of Equity Extracted from Homes", um estudo publicado por Alan Greenspan e James Kennedy em março de 2007, mostra quanto dinheiro foi artificialmente injectado na economia capitalista por causa disso. Os autores calcularam o montante deste "dinheiro fresco", que definem como o valor da venda de habitação, refinanciamento ou empréstimos equilibrados à habitação, deduzindo a dívida da hipoteca paga fora de tempo em períodos cada vez mais estreitos.

Os números são enormes. O montante de "dinheiro fresco" gerado foi de US$ 757,8 bilhões em 2002, US$ 1,003 trilhão em 2003, US$ 1,170 trilhão em 2004 e 1,429 trilhão em 2005. Esta injeção de trilhões de dólares permitiu aos trabalhadores e aos pobres continuar a comprar bens de consumo e serviços mesmo quando os seus salários falharam.

Este cerca de um trilhão de dólares por ano que forneceu combustível ao consumo através do boom da habitação desapareceu agora da economia. A bolha imobiliária rebentou e o preço das casas está em queda livre. Venda de casas, refinanciamento e empréstimos equilibrados estão virtualmente parados. O plano de estímulo de Obama, que visa injetar 787 bilhões de dólares na economia capitalista durante este ano e em 2010, é apenas cerca de metade dos US$ 1,429 trilhão que a bolha imobiliária injectou na economia só em 2005.

Até o programa de apoio à habitação (Home Affordable Program) implementado pelo secretário do Tesouro é na verdade um balão de oxigénio disfarçado para os bancos, representando uma ajuda mínima aos proprietários ameaçados de execução hipotecária. Uma simples moratória na execução hipotecária teria de percorrer um longo caminho para dar ao Home Affordable Program alguma substância, mas apesar de ter falado em moratória na sua campanha, o presidente Obama não voltou a usar essa palavra desde que foi eleito. A classe trabalhadora tem de lutar e exigir empregos ou rendimentos agora, e uma moratória na execução de hipotecas e de despejos, para além de um plano de estímulo efectivo com milhões de milhões de dólares para reconstruir as cidades e manter as fábricas a funcionar.


Extraído do Vermelho...

sábado, 11 de julho de 2009

Que retirada??? A farsa americana... o mundo tem que acordar!!!


por Ramzy Baroud*, Al-Ahram Weekly, Cairo

Traduzido pelo coletivo Política para Todos

Nem bem os soldados dos EUA chegaram à periferia das grandes cidades iraqueanas, dia 30/6, começaram as celebrações da 'retirada', cuidadosamente cenografadas. O governo iraqueano pró-EUA declarou "dia da independência" e carros blindados percorriam as ruas de cidades que a guerra destruiu, num arremedo patético de júbilo nacional. Todos os jornais da mídia favorável aos EUA acompanharam o coro, como se ali estivesse o final de uma era.

Ao mesmo tempo, funcionários do governos dos EUA e oficiais do exército preveniam os iraqueanos contra o risco de agitação social. "Biden alerta Iraque sobre o risco de o país ceder à violência sectária", lia-se numa manchete do New York Times. "O que estamos esperando para sair do Iraque?" perguntava um analista num Kansas City Star. Não se viu, nem nas manchetes nem nas análises, qualquer sinal de que os EUA estejam preparados para assumir responsabilidades pela tragédia que se abateu sobre o Iraque.

Quem garante que as ambições dos EUA no Iraque mudaram, se o que os EUA fizeram no Iraque ainda é considerado mais como 'tropeço estratégico', do que como erro moral?

O que absolutamente não muda é a arrogância que sempre marcou o modo como os EUA veem o Iraque. "O presidente e eu entendemos que o Iraque já avançou muito, no último ano, mas ainda há um longo caminho à frente, até que o Iraque construa condições de paz e estabilidade duradouras," disse o vice-presidente Biden em visita a Bagdá, dia 3/7. A fala de Biden veio saturada da mesma hubris que caracterizou o governo Bush, em relação ao Iraque.

"Ainda não acabou" – disse Biden. Tem razão. Para que tudo possa acabar, é preciso que todos os soldados dos EUA saiam do Iraque; que tenha fim a interferência em assuntos iraqueanos; que os EUA levem embora todos os políticos corruptos que minaram a democracia iraqueana e fortaleceram os grupos sectários dentro do governo.

A maioria dos norte-americanos está hoje convencida de que a guerra do Iraque nasceu de uma falsidade. Rapidamente culpam o ex-presidende Bush por ter lançado os EUA numa guerra caríssima que jamais deveria ter acontecido. A eleição do presidente Obama parece ter inaugurado um novo discurso de honestidade e de autoexame de consciência nacional nos EUA.

A verdade é que os EUA ainda não saíram do Iraque; que a retirada é apenas parcial. E pouco se escreve sobre as intenções dos EUA em relação ao Iraque.

Os termos "retirada" e "saída estratégica" dominam todas as análises e discursos da mídia relacionados ao Iraque. Para alguns, essa mudança de linguagem seria feito do novo governo. Mas a recente redistribuição dos exércitos dos EUA não é obra do governo Obama, mas decisão que já estava tomada desde novembro de 2008, por acordo assinado entre o governo iraqueano de Nuri Al-Maliki e o governo Bush. Já se sabia que os EUA fariam uma espécie de 'retirada' do Iraque desde antes de Obama ter sido eleito. O governo Obama apenas cumpriu compromissos já firmados pelo governo Bush. Pelo mesmo acordo, os EUA deverão retirar mais 50 mil soldados do Iraque até agosto de 2010; e a maioria das tropas permanecerão no Iraque até o final de 2011.

Então... em 2012, o Iraque será, afinal, independente? Nada disso! "Muitos especialistas creem que os EUA terminarão por conseguir estabelecer e manter no mínimo duas bases militares permanentes no Iraque", escreve Matt Schofield. "São bases consideradas essenciais para assegurar a estabilidade do governo iraqueano, onde haverá militares leais aos EUA e capazes de defender o governo democrático iraqueano."

Linguagem tortuosa, que visa a esconder que continuará a haver presença militar permanente dos EUA no Iraque... sinônimo, de fato, de ocupação permanente. É claro que os EUA não precisam ser visíveis em cada esquina, para que o país esteja eficazmente ocupado. O exército e a polícia iraqueanos sectários – e treinados e armados pelos EUA – cuidarão de fazer as coisas andarem como mais interessem aos EUA (sempre sob o pretexto de que seja necessário combater o terrorismo), ao mesmo tempo em que os EUA "manter-se-ão prontos a auxiliar no processo, se for necessário e se forem chamados" – como disse o vice-presidente Biden.

O Iraque sairá das manchetes, deixará espaço para a escalada no Afeganistão, também em nome de combater terroristas, implantar a democracia e toda o resto. Os rostos das vítimas serão escondidos, para não ferir suscetibilidades. O número de baixas entre os civis será manipulado e, de tempos em tempos, divulgado como "dano colateral" explicável por que os terroristas escondem-se entre a população civil. Em outras palavras, os EUA levarão o espírito da guerra do Iraque para o Afeganistão; mas não sairão do Iraque – onde permanecerão o mais invisivelmente possível. Assim garantirão o sucesso de seus objetivos militares estratégicos e, sendo preciso, culparão o Iraque e o Afeganistão por todas as desgraças que desabem sobre as populações.

Contudo, antes de que o mundo esqueça-se do Iraque e olhe em outra direção, os EUA devem saber que são responsáveis por tudo que aconteça no Iraque.

A comunidade internacional, os ativistas anti-guerra e as pessoas de consciência, no Iraque e em todo o mundo, não podem esquecer que 130 mil soldados dos EUA permanecem e permanecerão no Iraque; que os EUA controlam completamente o espaço aéreo iraqueano e todas as fontes de água; que nada há para celebrar, na atual 'retirada'. Ainda que haja quem seja suficientemente crédulo para acreditar nas 'declarações' do governo e do exército dos EUA sobre seus próprios movimentos no Iraque, é necessário lembrar o que disse o Almirante Mike Mullen, em fevereiro passado: "O governo Obama planeja deixar no Iraque uma 'força residual' de dezenas de milhares de soldados encarregados de treinar as forças de segurança iraqueanas, de caçar terroristas e de proteger instalações e instituições dos EUA no Iraque."

Um Iraque soberano, democrático e estável não existirá enquanto a verdade e o bom-senso continuarem a ser ocultados e reprimidos.


* Ramzy Baroud é jornalista, editor de PalestineChronicle.com

Nota do Thalera: Revolução já!!!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Está caindo a máscara do governo Obama... Honduras: Brasil tem que agir...


Enviado por Laerte Braga ao Viomundo...

À COMUNIDADE INTERNACIONAL – PAREM OS MASSACRES CONTRA O POVO HONDURENHO

Tegucigalpa, 5 de julho, 2009 – 21h 13m

A situação em Honduras é de suma gravidade. A reação do povo ao golpe desfechado por militares de extrema-direita no domingo próximo passado é aberta, corajosa e determinada.

Manuel Zelaya é o presidente constitucional de Honduras.

Os militares golpistas estão usando de todas as forças possíveis para eliminar a resistência. Neste momento centenas de boletins de hondurenhos assassinados pelos golpistas chegam de todos os cantos do país. Integrantes da VIA CAMPESINA estão sendo mortos a sangue frio pelos golpistas.

É necessária a intervenção da comunidade internacional para evitar que o massacre prossiga, tenha conseqüências mais trágicas que as que estamos presenciando.

A ação dos golpistas é referendada por apoio logístico do embaixador dos Estados Unidos em Honduras, agentes da CIA e silêncio cúmplice do governo de Obama. Estão tentando ganhar tempo para negociar uma solução alternativa à legalidade constitucional.

O presidente do Brasil Luís Ignácio Lula da Silva tem o dever de tomar atitudes enérgicas e decisivas neste momento. O peso e o significado do Brasil no contexto de países latino-americanos é imenso e uma posição brasileira de franco apoio a Zelaya, à legalidade constitucional e a denúncia dos massacres que ocorrem neste momento – centena de mortos – será decisiva para a vitória da democracia.

Todas as formas de comunicação com o exterior estão sendo eliminadas pelo regime brutal dos militares – o presidente Michelleti é um títere – na tentativa de evitar que a opinião pública mundial tome conhecimento dos fatos estarrecedores que estão a acontecer aqui, agora, neste momento.

Não há a menor preocupação com vidas por parte dos militares golpistas. Estão eliminando sumariamente civis e buscando e assassinando líderes da legalidade democrática.

O comportamento dos militares golpistas ultrapassa os limites da sanidade.

É necessário que organismos internacionais se façam presente antes que as conseqüências sejam mais trágicas e dolorosas para o povo hondurenho e com repercussões em toda a América Latina, em todo o mundo.

Não existem garantias constitucionais, suspensas pelos golpistas, não existe respeito mínimo às pessoas, Honduras e o povo hondurenho enfrentam o pior pesadelo de sua história por conta de militares e elites e com apoio dos norte-americanos.

É acintosa a atuação de agentes da CIA e do embaixador dos EUA. Está caindo a máscara do governo Obama.

É necessário mostrar aos cidadãos de todo o mundo o que está acontecendo aqui, usar de todos os meios necessários para divulgação, já que a grande mídia é sabidamente a favor dos golpistas e omite e distorce informações e fatos.

Que o mundo, as organizações de direitos humanos, os governos latino-americanos tomem conhecimento da situação e das barbáries cometidas por militares aqui em Honduras e se processe uma rápida ação no sentido de por fim a esse deslavado e criminoso golpe de bandidos travestidos de defensores da democracia.

O povo hondurenho está nas ruas resistindo ao golpe.

domingo, 28 de junho de 2009

Em 2008, bancos tiveram mais ajuda que pobres em 50 anos...


Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 bilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública. A ONU alertou que a crise econômica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, agravando os problemas da fome, da desnutrição e da pobreza.

Redação – Carta Maior

O setor financeiro internacional recebeu, apenas em 2008, quase dez vezes mais recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos cinqüenta anos. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (24) pela campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) pelas Metas do Milênio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 bilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública.

A ONU alertou que a crise econômica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, lembrando que, na semana passada, a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que a crise deixará cerca de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo.

A revelação foi feita no início de uma conferência entre países ricos e pobres, que ocorre na sede da ONU, em Nova York, para debater o impacto da crise. Segundo o diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty, esses números mostram que a destinação de recursos públicos ao desenvolvimento dos países mais pobres não é uma questão de falta de recursos, mas sim de vontade política.

“Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir, é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime”, disse Shetty à BBC. “O que é ainda mais paradoxal”, acrescentou, “é que esses compromissos (firmados pelos países ricos para ajudar os mais pobres) são voluntários”. “Ninguém os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados”, criticou o funcionário da ONU.

Um dos efeitos desta perversa distorção foi apontado pela FAO: a quantidade de pessoas desnutridas aumentará no mundo em 2009, superando a casa de um bilhão. “Pela primeira vez na história da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de desnutrição em todo o mundo”, advertiu a entidade. A FAO considera subnutrida a pessoa que ingere menos de 1.800 calorias por dias.

Do total de pessoas subnutridas hoje no mundo, 642 concentram-se na Ásia e na região do Pacífico e outras 265 milhões vivem na África Subsaariana. Na América Latina e Caribe, esse número é de 53 milhões de pessoas. Em 2008, o total de desnutridos tinha caído de 963 milhões para 915 milhões. O motivo foi uma melhor distribuição dos alimentos, Mas com a crise, o quadro de fome no mundo voltará a se agravar. Segundo a estimativa da ONU, um milhão de pessoas deverão passar fome no mundo nos próximos meses.

Fonte: Agência Carta Maior...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Todos a postos para a guerra contra o demônio iraniano?


por Paul Craig Roberts, Counterpunch

Tradução: Coletivo Política para Todos

Que atenção merecem, da mídia dos EUA, eleições no Japão, na Índia, na Argentina, onde for? Quantos norte-americanos e jornalistas norte-americanos algum dia ouviram falar de que há vida eleitoral em outros países além de Inglaterra, França e Alemanha? Quem sabe dizer o nome de algum político importante da Suíça, da Holanda, do Brasil, do Japão ou, mesmo da China?

Pois é. Mas milhões de norte-americans conhecem o presidente do Iran, Ahmadinejad. A razão é óbvia. O presidente do Iran é diariamente demonizado pela mídia dos EUA.

A demonização de Ahmadinejad pela mídia dos EUA é, ela própria, prova da ignorância da imprensa e dos cidadãos norte-americanos.

O presidente do Iran manda muito pouco. Não é o comandante-em-chefe das Forças Armadas. Não tem poder para definir políticas próprias. É simples executor de políticas definidas pelos aiatolás. Os aiatolás, esses, sim, estão decididos a impedir que a revolução popular democrática iraniana seja arrendada pelo dinheiro dos EUA e convertida em algum tipo de 'sub-revolução' codificada pela CIA em tabelas em tons degradés de vermelho.

Os iranianos têm experiência muito amarga com governos dos EUA. A primeira eleição democrática iraniana, depois de o Iran ter sobrevivido à ocupação e à colonização, nos anos 50, foi desqualificada, de fato, foi destruída pelo governo dos EUA. Em lugar do candidato legítima e democraticamente eleito, os EUA impuseram um ditador que torturou e assassinou dissidentes cujo único 'crime' foi lutar por um Iran independente, que não fosse mais um fantoche norte-americano na Região.

O 'superpoder' que governa os EUA jamais perdoou os aiatolás islâmicos pelo sucesso da revolução democrática iraniana dos anos 70s, que derrubou aquele governo fantoche lá instalado e tomou como reféns o pessoal diplomático na embaixada dos EUA, definida como "covil de espiões", enquanto estudantes iranianos desenterravam, dos cofres daquela embaixada, todos os documentos necessários para provar que os EUA trabalhavam dia e noite para destruir a democracia iraniana.

A mídia corporativa controlada pelo governo dos EUA é um perfeito Ministério da Propaganda, respondeu à reeleição de Ahmadinejad com uma tempestade de noticiário sobre os 'violentos protestos' contra eleição que teria sido fraudada.

A fraude eleitoral que não houve foi apresentada como fato, mesmo sem haver uma única evidência de qualquer fraude. Durante o governo de George W. Bush/Karl Rove, a única resposta da mídia dos EUA a eleições comprovadamente fraudadas foi ignorar todas as evidências de fraude real em eleições roubadas.

Líderes fantoches na Inglaterra e na Alemanha alinharam-se imediatamente à operação de guerra psicológica liderada pelos EUA. O muito desacreditado secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, David Miliband, resfolegava, de tanta pressa para manifestar "sérias dúvidas" sobre a vitória de Ahmadinejad, num encontro de ministros da União Europeia em Luxembourg. Miliband, é claro, não recebe informações de fontes independentes. Sempre, e só, repete instruções que recebe de Washington e confia no que diga o candidato derrotado nas urnas, no Iran, mas preferido do governo dos EUA.

Angela Merkel, Chanceler alemã, também foi dominada; dobraram-lhe o braço. Mandou chamar o embaixador iraniano e disse que exigia "mais transparência" nas eleições.

Até a esquerda norte-americana endossou o golpe de propaganda do governo dos EUA. Em seu blog nem The Nation, Robert Dreyfus reproduziu as frases histéricas de um dissidente iraniano, como se ali falasse a voz da verdade sobre "eleições ilegítimas" que levariam a um "golpe de Estado".

Qual, afinal, é a fonte das informações que a mídia nos EUA e em todos os Estados fantoches repete sobre as eleições iranianas? Fonte? Não há fonte. Todos só fazem repetir os discursos do candidato derrotado, que os EUA 'prefeririam' ver eleito.

Houve pelo menos uma pesquisa séria, independente, conduzida no Iran, antes das eleições. Ken Ballen, do Center for Public Opinion, organização sem fins lucrativos; e Patrick Doherty, da New America Foundation, também sem fins lucrativos, comentaram os resultados de suas pesquisas, ontem, 15/6, no Washington Post.

A pesquisa foi financiada pelo Rockefeller Brothers Fund e conduzida em Farsi, "por empresa de pesquisas que opera na região para as redes ABC News e BBC e já premiada com um prêmio Emmy" (Washington Post, 15/6/2009, "Pesquisa Ballen-Doherty, http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/06/14/AR2009061401757.html?nav=rss_opinion/columns).

Os resultados dessa pesquisa, a única fonte de informação confiável que há hoje, indicam que o resultado eleitoral manifesta o desejo dos eleitores iranianos. Dentre outras informações interessantíssimas que a pesquisa revela, lê-se:

"Muitos especialistas têm repetido que a vitória do atual presidente Máhmude Ahmadinejad teria sido resultado de fraude ou manipulação, mas a pesquisa de opinião pública que fizemos em todo o Iran, três semanas antes da eleição, já mostrava que Ahmadinejad podia esperar ser eleito no primeiro turno, com maioria significativa, e, de fato, pelos nossos resultados, com diferença ainda maior do que a que se constatou na apuração final dos votos".

Ao mesmo tempo em que todos os noticiários ocidentais com notícias de Teeran repetiam que haveria crescimento nas expectativas eleitorais a favor de Mir Hossein Moussavi, todos os nossos resultados de pesquisa, com dados recolhidos em todas as 30 províncias do Iran, já mostravam enorme diferença a favor de Ahmadinejad nas intenções de voto.

A acentuada preferência dos eleitores pelo candidato Ahmadinejad já era muito evidente desde nossas primeiras pesquisas. Durante a campanha, por exemplo, Moussavi esforçou-se por identificar-se como "Azeri" (o segundo maior grupo étnico na composição populacional do Iran, depois dos persas), com vistas a atrair o voto dos Azeri. Nossa pesquisa mostrou claramente que também entre os Azeri, Ahmadinejad venceria Moussavi, também com mais que o dobro dos votos.

Também falou-se da juventude iraniana e da Internet como fatores decisivos nas eleições. Nossa pesquisa mostrou que menos de 1/3 dos iranianos têm acesso a internet, o que é insuficiente para que a internet possa ser considerado fator decisivo; e que o grupo dos jovens (18-24 anos) é, dentre todos os grupos etários, o que manifesta mais acentuada diferença a favor de Ahmadinejad.

Os únicos grupos sociodemográficos no quais a pesquisa identificou preferência mais significativa pelo candidato Moussavi (embora nem aí Moussavi apareça em primeiro lugar em todos os subgrupos) são o grupo identificado como "estudantes universitários e profissionais liberais" e o grupo identificado como "mais alta renda nacional".

Quando nossa pesquisa foi realizada, quase 1/3 dos iranianos declararam-se indecisos. Mesmo assim, todas as tendências que traçamos, por procedimentos estatísticos regulares e conhecidos, espelham os resultados finais apresentados pelas autoridades iranianas (todos esses procedimentos podem ser auditados e confirmados, a partir dos dados do relatório da pesquisa), o que confirma que os resultados eleitorais apresentados sejam rigorosamente autênticos, sem que se justifique qualquer suspeita de fraude."

Vários jornais e jornalistas têm insistido em noticiar que haveria em andamento um plano para desestabilizar o Iran. Há quem fale de os EUA financiarem ataques terroristas, bombas e assassinatos no Iran. Parte da mídia nos EUA usa esses informes como ilustração de autopromoção do poder dos EUA para controlar e manter sob 'rédea curta' países 'dissidentes'; essa parte da mídia favorece o terror como política admissível contra esses países 'dissidentes'. Outra parte da mídia, na maioria a mídia estrangeira, vê esse tipo de noticiário como evidência da inerente imoralidade do governo norte-americano.

Ex-comandante militar paquistanês, o general Mirza Aslam Beig, disse à Rádio Pashtum, na 2ª-feira, 15/6, que o serviço secreto paquistanês tem provas irrefutáveis de que os EUA trabalharam para tentar alterar o resultado das eleições no Iran. "Há provas de que a CIA gastou 400 milhões de dólares em território iraniano para fazer eclodir uma revolução 'pacífica', 'colorida', contra o governo dos aiatolás, imediatamente depois das eleições."

O sucesso dos EUA ao financiar outras revoluções 'coloridas' na Georgia e Ucrânia e em outras partes do ex-império soviético tem sido tema muito repetido na mídia dos EUA. Para a mídia norte-americana, todos esses 'feitos' seriam manifestação da onipotência 'natural', do direito 'natural' dos EUA, como principal potência do mundo ocidental. Para parte da mídia estrangeira, seriam sempre evidência de que os EUA jamais deixaram de tentar intervir nos assuntos internos de outros países.

No campo objetivo das probabilidades estatísticas, é mais provável que Mir Hossein Moussavi seja mais um fantoche alugado para servir a interesses inconfessáveis dos EUA, do que tenha sido vítima de alguma espécie de fraude eleitoral.

Sabe-se que o governo dos EUA sempre usou instrumentos de guerra psicológica tanto contra os próprios norte-americanos como contra estrangeiros, nos EUA ou fora dos EUA. Em todas essas operações de guerra psicológica a mídia sempre foi instrumento privilegiado, nos EUA e em outros países. Há inúmeros estudos sobre isso.

Consideremos a eleição iraniana do ponto de vista do bom-senso do cidadão comum. Nem eu nem a enorme maioria dos leitores de jornal ou dos públicos telespectadores somos especialistas em Iran.

Alguém supõe que, se meu país vivesse sob constante ameaça de ser atacado (sob ameaça também de ataque nuclear e, isso, sem falar das sanções econômicas!), e se a ameaça viesse de dois países muito mais fortemente armados que o meu (como é o caso do Iran – que vive sob eterna ameaça de ser atacado ou pelos EUA ou por Israel ou por ambos!)... alguém supõe que eu ou você desistiríamos de tentar defender nosso país... para eleger algum candidato que aparecesse... e que interessasse aos EUA, a Israel ou a ambos?!

Passa pela cabeça de alguém que a maioria do povo iraniano teria votado para eleger um candidato que a maioria do povo vê como fantoche dos EUA e de Israel... e que a maioria do povo vê como interessado em converter o Iran em mais um Estado-fantoche dos EUA e de Israel?

A sociedade iraniana é antiga e sofisticada. Os intelectuais são, na maioria, seculares. Uma pequena fração da juventude foi fisgada pelos 'ideais' ocidentais de culto obcecado da satisfação pessoal, do interesse individual, da auto-dedicação aos interesses pessoais. Essas pessoas podem muito facilmente ser organizadas mediante o sempre abundante dinheiro dos EUA para esse tipo de operação 'especial', para fazer oposição ao governo eleito e ao pensamento social islâmico que, sim, impõe limitações ao comportamento individual.

Os EUA estão usando esses iranianos ocidentalizados como base de manobra para, a partir deles, desacreditar as eleições iranianas e o governo legitimamente eleito pela maioria dos iranianos.

Dia 14/6, o McClatchy Washington Bureau, que várias vezes até tenta investigar a fundo as próprias notícias, cedeu também à guerra de propaganda de Washington e publicou: "O resultado das eleições no Iran dificulta ainda mais a já dificílima tarefa de Obama." O que aí se vê são os primeiros movimentos do que, adiante, será a feia caratonha de um "fracasso da diplomacia", que abrirá caminho para uma 'inevitável' intervenção militar. Já aconteceu outras vezes.

(...) O grande poder super-macho está decidido a recuperar a hegemonia que teve sobre o Iran e os iranianos; será a revanche com que os EUA sonham contra os aiatolás que, sim, derrotaram completamente os EUA em 1978.

O script é esse. Para assistir aos capítulos, basta acompanhar, minuto a minuto a televisão nos EUA.

Não faltarão 'especialistas' para explicar o script. Por exemplo, um, colhido ao acaso dentre muitos, lá estava Gary Sick, ex-funcionário do Conselho de Segurança Nacional, atualmente professor na Universidade de Columbia:

"Se tivessem sido mais modestos e anunciado vitória de Ahmadinejad com 51% dos votos" – disse Sick –, os iranianos desconfiariam, mas acabariam aceitando. Mas o governo dizer que Ahmadinejad venceu com 62,6% dos votos? Não, não é crível."

"Parece-me", continuou Sick, "que estamos realmente num ponto de virada decisivo na Revolução Iraniana, de uma posição em que se dizia que a legitimidade da revolução estava no apoio popular, para uma posição que depende cada vez mais da repressão. A voz do povo está sendo ignorada."

Bullshit. Opinionismo sem qualquer fundamento. A única referência confiável, de pesquisa séria que há sobre as eleições iranianas, é a pesquisa citada acima, que o Washington Post publicou. A pesquisa demonstrara, três semanas antes das eleições, que Ahmadinejad era o candidato preferido de mais da metade do universo de eleitores.

Mas nenhuma pesquisa séria interessa. Reinam as regras da propaganda e da mentira. Nada tem a ver com fatos. Reinam as regras da hegemonia que os EUA sempre viveram de impor a outros povos.

Consumidos por esse vício de aspirar cada vez mais ao poder hegemônico, os EUA atropelam qualquer equilíbrio, qualquer moralidade. A democracia que se dane! E assim prosseguirão o script e as ameaças contra todo o mundo, até que os EUA afundem-se, eles mesmos, cada vez mais, para o fundo do poço: falidos, quebrados, no plano interno; e isolados, no plano internacional, universalmente desprezados.

*Paul Craig Roberts foi secretário-assistente do Tesouro no governo Reagan. É co-autor de The Tyranny of Good Intentions.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Os verdadeiros terroristas... quem os enfrentarão???


Quem enfrentará EUA e Israel?

'Duplifalar', agora, sobre a Coreia do Norte

Paul Craig Roberts foi secretário-assistente do Tesouro no governo Reagan.


É co-autor de The Tyranny of Good Intentions. Recebe e-mails em PaulCraigRoberts@yahoo.com

"Obama conclama o mundo a enfrentar a Coreia do Norte" – diz a manchete. Os EUA, disse Obama, estariam firmes "para defender a paz e a segurança do mundo". Palavras de 'duplifalar', de 'duplipensar', à moda de 1984.

A Coreia do Norte é país muito pequeno e pobre. A China, sozinha, pode varrer do mapa a Coreia do Norte, em minutos. E o presidente dos EUA acha que precisa do mundo inteiro para enfrentar a Coreia do Norte?

Estamos assistindo a mais uma operação dos gângsters de Washington, inventando ameaça nova, como Slobodan Milosevic, Osama bin Laden, Saddam Hussein, John Walker Lindh, Hamdi, Padilla, Sami Al-Arian, o Hamás, o presidente Máhmude Ahmadinejad e os desgraçados prisioneiros demonizados por Rumsfeld como "os 700 mais perigosos terroristas da face da Terra", que foram torturados durante seis anos na prisão de Guantanamo, para, afinal, serem libertados... sem jamais terem sido julgados. Epa! Sorry, foi um engano.

O complexo militar/de segurança que governa os EUA, associado ao Lobby israelense e ao lobby das finanças, sempre precisa ter longa lista de inimigos perigosos, para que o dinheiro dos contribuintes não pare de correr para seus cofres.

O lobby da segurança interna depende de haver infindáveis 'ameaças' para convencer os americanos a ceder suas liberdades civis em troca de qualquer segurança que o lobby deseje vender.

A questão importante é: quem enfrentará o governo dos EUA e de Israel?

Quem protegerá os cidadãos norte-americanos e israelenses, sobretudo os israelenses que se opõem ao atual governo e os cidadãos israelenses árabes?

Quem protegerá os palestinos, os iraqueanos, os afegãos, os libaneses, os sírios, contra a ameaça dos EUA e de Israel?

Não Obama, nem os camisa-verde-oliva-caqui que governam Israel.

A ideia de Obama, de 'conclamar' o mundo a "enfrentar" a Coreia do Norte é insana, mas essa ideia insana empalidece, se comparada à 'garantia' de que os EUA podem garantir "a paz e a segurança do mundo".

São os mesmos EUA que bombardearam a Sérvia, inclusive a embaixada chinesa e trens de passageiros; que entregaram a Sérvia a uma gang de traficantes muçulmanos, emprestando-lhes soldados da Otan para proteger a 'operação'... do tráfico?

São os mesmos EUA responsáveis pela morte de um milhão de iraqueanos, e que deixam órfãos e viúvas onde quer que apareçam, e que converteram em refugiados 1/5 da população do Iraque?

São os mesmos EUA que impedem o mundo de condenar Israel pelo ataque assassino contra civis libaneses em 2006 e contra civis em Gaza em 2009, os mesmos EUA que dão cobertura ao assalto israelense contra a Palestina, que já dura mais de 60 anos, assalto e roubo que já produziu quatro milhões de refugiados palestinos, arrancados de suas casas, vilas, cidades, pelo terror e pela violência de Israel?

Os mesmos EUA que fazem hoje manobras militares em repúblicas ex-soviéticas e estão cercando a Rússia com um anel de bases de mísseis?

Os mesmos EUA que bombardearam o Afeganistão até converter o país num amontoado de ruínas, com milhares de civis mortos?

Os mesmos EUA que criaram um ano novo infernal no Paquistão, ataque que, só nos primeiros dias, produziu um milhão de refugiados?

“Paz e segurança do mundo”? Mundo de quem?

Ao retornar de consulta com Obama em Washington, o ministro camisa-verde-oliva-caqui de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que seria "responsabilidade" de Israel "eliminar" a "ameaça nuclear" iraniana.

Que ameaça nuclear? Todas as agências de inteligência dos EUA concluíram, unanimemente, que o Iran não tem qualquer programa nuclear militar desde 2003. Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica já relataram que não viram nem sinal de bombas atômicas no Iran.

Quem está sendo bombardeado pelo Iran? Quantos refugiados vagam pelo mundo, tentando salvar a própria vida, por ataque comandado pelo Iran?

Quem está sendo bombardeado pela Coreia do Norte?

Os dois países que mais matam e que mais refugiados geram no mundo hoje são EUA e Israel. EUA e Israel, mais que qualquer outro país no mundo, já mataram e expulsaram milhões de pessoas que jamais foram ameaças a alguém e jamais atacaram alguém.

Não há país no mundo que rivalize com EUA e Israel, na prática corriqueira da violência assassina mais bárbara.

Mas Obama garante que os EUA protegerão "a paz e a segurança do mundo". E Netanyahu, armado com bombas atômicas, garante que Israel salvará o mundo da "ameaça iraniana".

Onde está a mídia? Por que os que lêem jornais não estão rolando de rir?

domingo, 24 de maio de 2009

Popularidade de Lula, para desespero da mídia...


Nos últimos dias, apesar dos desmentidos veementes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de seus auxiliares diretos etc., jornais, tevês, rádios e portais de internet de grandes empresas que controlam conglomerados de mídia voltaram a ter faniquitos. E nem foi por conta da hipótese de Lula poder ser reeleito para um terceiro mandato consecutivo. Essas empresas têm feito campanha organizada e unificada para que o presidente não volte a se candidatar ao cargo que ocupa atualmente nem se a lei permitir, ou seja, a partir de 2014.

Por Eduardo Guimarães, em seu blog.


Praticamente todos os telejornais das tevês abertas, todos os grandes jornais, todos os grandes portais de internet, todas as emissoras de rádio desse reduzido grupo de mega empresários da comunicação que controlam todos estes veículos entraram em pânico na sexta-feira, quando Lula, perguntado por um repórter sobre se cogita tentar voltar ao poder em... 2014 (?!), disse que “só Deus sabe” a resposta a essa pergunta porque nem sabemos o que acontecerá em 2010, que ainda está longe.

Não é à toa que as famílias Marinho, Civita, Frias, Mesquita e agregados, sem falar no PSDB e no PFL, com destaque para o tucano José Serra, estão preocupados. E vocês, leitores, já entenderão por que.

Todos os fatos autorizam dizer que Lula deixará o planalto, no primeiro dia de 2011, como o presidente mais popular da história do país. E, como se fosse pouco, ainda por cima tão ou mais popular quanto os mais populares governantes de qualquer parte do mundo, seja em começo, em meio ou em fim de mandato.

A economia brasileira está dando um show. As atenções do mundo inteiro voltam-se a um país que, na contramão do mundo, está gerando empregos e voltando a crescer enquanto todos os outros países continuam gerando desemprego e mergulhando em recessão cada vez mais profunda.

Mais impressionante ainda, foi estudo recente divulgado pelo Ipea que deu conta de que durante o auge da crise o Brasil continuou diminuindo a pobreza e a miséria. Em termos internacionais, esses dados estão fazendo este país atrair as atenções do mundo todo.

De Obama à Unesco Lula é “o cara”, o mais popular chefe de governo e de Estado que há no planeta. E para quem acha pouco, ele ainda pode se tornar o prêmio Nobel da Paz deste ano.

Hoje, Lula é literalmente imbatível do ponto de vista eleitoral. Tanto como candidato quanto como apoiador. E é aí que reside essa paranóia descabida que está se abatendo sobre a oposição tucano-pefelista e os jornais, revistas, tevês, rádios e portais de internet seus aliados. E isso porque uma pesquisa eleitoral recente, feita pelo renomado – e esquecido até aqui – instituto Vox Populi, mostra vários fatos desesperadores para a direita brasileira.

A mídia oposicionista concentrou-se nos dados da pesquisa Vox Populi sobre os possíveis cenários na disputa pela Presidência da República em 2010, nos quais a candidata de Lula, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece disparando na preferência do eleitorado, tendo atingido neste mês de maio um patamar de intenções de voto que há poucos dias especulava-se que ela só atingiria no fim deste ano, o que mostra a capacidade de transferência de votos de Lula para a eleição presidencial e, também, um desempenho considerável da própria candidata.

Porém, a mídia escondeu o dado mais impressionante da pesquisa, que revela um aumento exorbitante da popularidade do presidente da República se confrontarmos os números do Vox Populi com os últimos dados detectados pelos institutos de pesquisa da oposição (Datafolha e Ibope), que, recentemente, detectaram “queda” da popularidade do presidente, situando-a em pouco mais ou pouco menos de 70%.

Vejam, abaixo, os dados da pesquisa que a mídia desprezou e entendam, assim, por que a direita brasileira quer tornar Lula um político proibido para sempre de concorrer a cargos públicos.A pesquisa Vox Populi tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Em seguida prossigo comentando.

Brasil

- 67% estão satisfeitos ou muito satisfeitos, igual a maio de 2008; 7% estão insatisfeitos; - 5% muito insatisfeitos

- Para 60%, Brasil melhorou nos últimos anos; - Para 14%, piorou; para 56%, vai melhorar nos próximos 2 anos; para 13%, vai piorar

Partidos

Preferência

- PT tem 29% da preferência partidária; alta de 4 pontos em relação a 2008 e de 10 pontos sobre 2004; PMDB tem 8%; PSDB tem 7%; e DEM tem 1%

- Eleitores sem preferência: 49%, queda de 15 pontos em relação a 2004 (64%)

Rejeição

- PT tem 8% de rejeição, estável em relação a 2008; PMDB tem 5%; PSDB tem 5%; e DEM tem 3%; 67% não rejeitam nenhum partido, queda de 2 pontos em relação a 2008 (69%)

Imagem

- Primeiro partido que vem à cabeça: PT, 35%; PMDB, 24%; PSDB, 14%.

Governo Lula

Desempenho do presidente


- Avaliação positiva: 87% (ótimo, bom e regular positivo), contra 84% em 2008; avaliação negativa: 13% (ruim, péssimo e regular negativo), contra 15% em 2008

Melhores ações do governo

- Programas sociais, 36%; política econômica, 19%; Educação, 8%; Habitação, 7%

Além do dado importantíssimo sobre a recuperação da popularidade de Lula (em confrontação com as últimas pesquisas Datafolha, Ibope e Sensus), os números desta pesquisa recente sobre o desempenho da pré-candidata Dilma Rousseff também se descolaram fortemente dos dados daqueles institutos dirigidos por aliados da oposição tucano-pefelê.

É possível que tenha havido só agora mesmo esse forte aumento da popularidade do presidente Lula e da ministra Dilma. As últimas pesquisas dos institutos da oposição foram feitas no auge da crise, ainda no primeiro trimestre deste ano, quando foi revelado o forte tombo no nível de emprego ocorrido em dezembro do ano passado e seus reflexos em janeiro deste ano.

Dali em diante, o nível de emprego começou a aumentar, a produção industrial foi retomada, o crédito normalizou-se, as exportações aumentaram, o dólar passou a cair, descobriu-se que diminuiu o número de pobres em plena crise etc, etc.

Oposição em apuros

Não foi à toa que a mídia oposicionista parou de falar em “marolinha”, bem como os partidos aos quais ela serve. Depois do previsível primeiro trimestre depressivo e da recuperação previsível do segundo trimestre (e este blog previu, no fim do ano passado, que os dois trimestres seriam assim), não há mais clima para continuar explorando eleitoralmente o termo usado por Lula para descrever o efeito menor que a crise teria no Brasil.

Lula constitui hoje a maior ameaça à direita brasileira que já existiu. Mesmo na improvável hipótese de que não consiga fazer sua sucessora tendo aprovação popular tão impressionante, estando na oposição teria uma força moral e uma credibilidade enormes para criticar um hipotético governo José Serra, sobretudo quando este, previsivelmente, começasse o desmonte de políticas públicas do antecessor.

E para quem ainda tem alguma dúvida de que as coisas sejam como descrevo, que pergunte a si mesmo que outro presidente brasileiro, depois de governar por quase uma década, assustou seus adversários em qualquer hipótese eleitoral - se entrasse em disputa pela própria sucessão, se apoiasse um candidato a sucedê-lo e até, pasmem, se um dia quisesse disputar uma eleição de novo.

Cidadania.com

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A verdadeira tragédia do México...

Ah, a gripe suína. O governo do México se nega a divulgar os nomes dos que morreram, o que permitiria a investigadores independentes constatar o que parece óbvio: morreram os pobres, aqueles que não tem acesso a serviços de saúde de qualidade.

O vírus não parece mais letal que outros vírus de gripe. O escândalo patrocinado pela Organização Mundial de Saúde deu "cobertura" ao governo do México para fazer de uma crise social uma crise causada por um vírus "selvagem", incontrolável, que matou... duas pessoas fora do México. Ora, será que o vírus só mata mexicanos?

Enquanto isso, a verdadeira crise do México não foi parar nas manchetes: a produção de petróleo do país está em declínio, tendo sido reduzida de 3,4 milhões de barris/dia no início de 2005 para 2,4 milhões agora. É indício de que os principais poços do país entraram em declínio. Ou seja, se o México não aproveitou a bonança do petróleo para arrumar a casa, cada vez mais só poderá oferecer a imigração e o narcotráfico como saída para os 100 milhões que vivem abaixo da linha da pobreza.

Gostaria muito que alguns de vocês recuperassem aquelas reportagens da mídia brasileira dos anos 90, que citavam o México como exemplo de sucesso regional. Que diferença uma década não faz. O pior é que os infelizes que patrocinaram o "milagre" mexicano continuam por aí. É a mesmíssima turma da Petrobrax.


Escrito pelo Azenha, no Viomundo...

domingo, 3 de maio de 2009

ONG diz que Israel obstrui tratamento médico a palestinos...


O serviço secreto israelense obstrui, humilha e retém pacientes palestinos de Gaza que necessitam de tratamento médico em Israel, condicionando às vezes sua saída da faixa ao fornecimento de informação de inteligência, segundo a ONG Médicos pelos Direitos Humanos.


Um relatório da filial israelense dessa organização será apresentado amanhã, com essas informações, à Comissão da ONU contra a Tortura, em Genebra.

O testemunho de cerca de 30 pacientes mostra "um crescimento no número de pacientes interrogados", incluindo "menores de idade", e que "a Corte Suprema e o assessor jurídico do Governo israelense cooperam" com estas práticas, diz, em comunicado, Magas Ziv, diretor local da ONG.

A nota afirma que a Shabak, (Agência de Segurança Israelense), exigiu, em janeiro deste ano, que fossem interrogados 17% dos pacientes que pediram para atravessar de Gaza a fim de serem tratados em Israel.

No ano passado, essa porcentagem havia sido apenas 1,45% no mesmo período.

O mês de janeiro coincide, porém, com a ofensiva militar israelense em Gaza, que deixou cerca de 1.400 mortos, em resposta a ataques do grupo palestino Hamas, em dezembro.

A organização Médicos pelos Direitos Humanos concluiu, por exemplo, que os agentes da Shabak fotografaram pacientes contra sua vontade, detiveram-nos por períodos desconhecidos e os interrogaram sem notificação prévia, e os incomodaram, insultaram e intimidaram.

"Pacientes que não cooperaram foram devolvidos a Gaza sem receber a permissão de saída para tratamento médico", assinala o comunicado.

Entre janeiro de 2008 e março de 2009, pelo menos 438 pacientes foram convocados para interrogatórios à Shabak na passagem de fronteira de Erez, como requisito para estudar suas solicitações de obter as permissões de saída de Gaza para Israel.

Fonte: EFE

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Reino Unido anuncia fim de operações no Iraque...


Após seis anos de operações militares e com um saldo de 179 militares mortos, o Reino Unido colocou um fim nesta quinta-feira às operações de ocupação militar por suas tropas no Iraque.

A conclusão das tarefas militares teve lugar um mês antes do previsto e foi consumada com a passagem de comando às forças de ocupação dos Estados Unidos, que permanecem no país árabe.

A retirada dos quase quatro mil efetivos britânicos que permanecem no Iraque terminará na próxima semana. Só permanecerão no solo iraquiano cerca de 400 elementos, dedicados a adestramento das forças iraquianas.

O Reino Unido chegou a possuir cerca de 46 mil militares em território iraquiano após a invasão de abril de 2003, decidida pelo então presidente dos Estados Unidos, George. Bush e pelo ex-premiê britânico Tony Blair.

O caminho até o regresso das forças enviadas por Londres começou em dezembro passado, quando o comando passou o controle da privíncia de Basrá às autoridades instaladas pelos ocupantes em Bagdá.

Em setembro anterior, os efetivos do Reino Unido abandonaram suas posições em Basra.

As últimas baixas fatais de soldados britânicos no Iraque foram reportadas em 5 de abril passado, em consequência de uma explosão em um ponto próximo de Basra, de acordo com dados oficiais do Ministério de Defesa britânico.


Extraído do Vermelho...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Finalmente...


8 DE MARÇO DE 2009 - 11h51
EUA vão retirar 12 mil soldados do Iraque até setembro


O general americano David Perkins anunciou, neste domingo (8), a retirada de 12 mil soldados do território iraquiano nos próximos seis meses. A saída desses oficiais representa o primeiro estágio do plano anunciado em fevereiro pelo presidente Barack Obama de retirar as tropas de combate do país até agosto de 2010.

O plano anunciado pelo presidente prevê que as missões de combate dos Estados Unidos no Iraque devem terminar até 31 de agosto de 2010, quando a maior parte dos 142 mil soldados americanos devem deixar o território iraquiano.

Obama disse que, depois desta data, entre 35 mil e 50 mil soldados devem permanecer no Iraque para fornecer treinamento para as forças de segurança iraquianas. A saída deste último grupo está prevista para 2011.

Meio termo

Segundo o correspondente da BBC em Bagdá, Mike Sargeant, a rapidez da retirada vai depender do sucesso das eleições nacionais iraquianas neste ano.

O plano de retirada anunciado por Obama é considerado um meio termo entre a relativamente rápida saída prometida por ele durante a campanha eleitoral e a retirada mais gradual, preferida por alguns setores militares americanos.

Durante a campanha, Obama havia dado o prazo de 16 meses, após ter assumido a Presidência, para a saída total dos militares americanos do país. Segundo o presidente americano, a solução de longo prazo para o Iraque deve ser política, e as decisões sobre o país devem ser tomadas pelos iraquianos.

Na ocasião, Obama disse que seu governo não está interessado no território ou nos recursos do Iraque, invadido pelas tropas americanas em 2003.


Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Israel culpado...






O Tribunal Internacional sobre a Infância declarou, no dia 12 de fevereiro, o Estado de Israel culpado de crimes de lesa humanidade e genocídio contra a infância palestina da Faixa de Gaza, durante os ataques que iniciaram no dia 27 de dezembro de 2008 e duraram 22 dias, matando mais de 450 crianças. Na sentença, o tribunal, formado por promotores internacionais de 11 países do mundo, sendo nove da América Latina, um da África e um da Ásia, denuncia os crimes aberrantes e o avanço sistemático do infanticídio contra as crianças da Faixa de Gaza por parte do exército israelense.

Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. A sentença é constituída de provas dos ataques à população infantil palestina e da violação das leis internacionais e do estatuto de Roma, com testemunhos de crianças e mães da Faixa de Gaza, junto a assinaturas e petições de milhares de pessoas da América Latina, Europa, África e Ásia.

O organismo destaca ainda que a infância palestina tem vivido sob o genocídio das bombas, das metralhadoras, e da utilização como escudos humanos das crianças por parte do exército israelense. Afirma que 700 mil crianças da região foram submetidas a massacres, assassinatos, a crimes contra a humanidade, ao genocídio, ao bloqueio humanitário, sequestro e à destruição de suas escolas, de seus lares, de suas famílias e de suas casas.

"É a Sentença Moral e Ética em memória das crianças palestinas que morrem em Gaza, pelo menos para devolve-lhes a dignidade que lhes roubaram com esses crimes da barbárie humana, acompanhada por mais de 2.000 assinaturas e petições de organizações e cidadãos de mais de 50 países do mundo que apóiam este Tribunal Internacional de Consciência e solicitam à Corte Penal Internacional e aos organismos internacionais de justiça e direitos humanos da União Européia e da América Latina a abertura de causa e investigação e condenação dos culpados dos crimes", afirma o documento.

Ainda de acordo com a sentença, as violações do direito internacional humanitário devem ser perseguidas e investigadas pelos Estados, em especial pelos Estados parte dos Convênios de Genebra de 1949. O tribunal lembra que Israel é parte desde 1950 do IV Convênio, aplicável à proteção da população civil, mas não investiga nem persegue os atos que são denunciados ante seus tribunais militares e penais.

O mais adequado para a realização do julgamento desses crimes seria a atuação da Corte Penal Internacional, de acordo com a sentença. No entanto, o Estado de Israel não pe parte do Estatuto dessa Corte, permitindo que os crimes de guerra perpetrados em seu território ou por seus nacionais fiquem impunes.


Notícia encontrada no site www.viomundo.com.br ...